segunda-feira, 13 de maio de 2013

Armadilha auto-imune

"O Brasil não cresce, incha."

Esta frase de um amigo meu resume bem o sentimento atual sobre o momento econômico do nosso país. Mas define mais ainda o atual momento político nacional.

Depois do pior inicio de governo da história recente, fica até difícil discordar do argumento. Mas os números não montam a fotografia completa, infelizmente.

O cenário político hoje é um misto de velhas práticas com teorias mais velhas ainda. Após avanços importantes como estabilização da moeda e do ambiente político, metas de inflação e lei de responsabilidade fiscal parece que o infame vírus brasileiro acordou com mais vontade ainda de devorar toda a sensatez e seriedade que sobrou por aqui.




Há algo de muito errado no Brasil atualmente.
condenados pelo mensalão no congresso
Marina Silva sem partido enquanto Renan e Sarney comandam o congresso
incompetentes no ministério da fazenda e BC
homofóbico presidente da comissao de direitos humanos
quadro de estagflação há 2 anos
garçom ganhando 10mil no senado
copa do mundo sem os projetos de mobilidade
portos e estradas parados
o congresso quer poder derrubar decisões do STF... 

E voltamos ao passado onde o Brasil é o país do futuro.

terça-feira, 30 de abril de 2013

Bananas is my business


O blog da revista Super (Interessante) traz uma das mais claras, lúcidas e esclarecedoras matérias sobre o porque de TUDO no brasil ser tão caro.

Em suma é uma mistura explosiva de excesso de dólares (commodities), de crédito, de custos, de impostos, de incompetência e da mais pura espertalhagem brasileira. Como em qualquer bom roteiro sobre sexo, drogas e rock n' roll, um conjunto de excessos assim nunca fica impune. Vem cobrar seu preço depois.

A leitura vale a pena e o texto não é nada cansativo.

E quando quiser culpar alguém pelo preço do carro, apartamento, frango, gasolina, energia, etc. Lembre-se:

Se o Brasil é uma salada de frutas, o banana é você...

quinta-feira, 11 de abril de 2013

De graça também sai caro

O ótimo aplicativo AppGratis foi retirado da App Store esta semana. E isso gerou controvérsias, discussões e uma carta aberta do fundador do serviço, Simon Dawlat.


Entendo a estratégia e visão da Apple em manter a loja de aplicativos focada em aplicativos. Com o mínimo de "spam" possível. Faz parte de seu diferencial competitivo e da briga de gente grande que, aparentemente, ela está ganhando.

Até compreendo algumas das razões técnicas que fazem a Apple não querer aplicativos de terceiros fazendo promoções dentro da App Store. Isso confunde o usuário e uma cria "rede dentro de outra rede". Algo semelhante aconteceu com as assinaturas de revistas e a banca do iOS. A Apple não quer apenas os 30% da comissão, quer 100% da atenção do usuário.

A contra-argumento principal, e obviamente muito bem defendido por seu fundador, é que o AppGratis está certamente fora desse "submundo do spam da App Store". Eles tem um propósito e uma visão definidos e - mais importante - provêm um serviço bastante popular e procurado por usuários mundo a fora. Eu mesmo utilizei diversas vezes.

App Discovery é uma ciência que ainda não foi domada nem pela Apple, nem pelo Google. E a julgar pelo acontecido com o AppGratis, vão demorar ainda um pouco mais para aprender.

terça-feira, 9 de abril de 2013

A César o que é de César...

Que fique logo clara a minha opinião: Marco Feliciano, e toda a polêmica recente como presidente da Comissão de Direitos Humanos, é a personificação da falência do sistema político brasileiro atual.

Eu poderia falar de falência econômica, moral ou até mesmo institucional desse sistema político. E algumas destas seriam verdade absolutas, irrefutáveis. Mas a falência que me refiro é outra. É mais profunda, difícil de diagnosticar e tratar.


O sistema político brasileiro está falido porque não consegue mais pensar em si mesmo como um sistema. Não existe um ciclo de reflexão, não existe contrapartida clara, não existem perdas e ganhos reais. Por fim, não existe senso de responsabilidade (e nem responsabilidade de fato) com a representatividade dada pelo voto.

E o voto legitima o político.

Se alguém com farto histórico homofóbico e racista (e lunático!) pode - com toda a legalidade possível - assumir a presidência de uma comissão anti-homofóbica e anti-racista (não sei se anti-lunática) então, como diria Cazuza, os inimigos estão no poder. E o poder perde legitimidade.

Esse é o ciclo.

Entre tanta bobagem e demagogia Feliciano acertou na mosca quando confrontado hoje pelo PT à deixar o cargo. Saiu-se com desenvoltura:
“Renuncio se João Paulo Cunha e José Genoíno, condenados no julgamento do mensalão, também renunciarem aos cargos que ocupam na Comissão de Constituição e Justiça”
A César o que é de César... Os loucos também pensam. Até mesmo os que não valem nada.

terça-feira, 26 de março de 2013

O laissez-faire e as domésticas

Desde a semana passada tenho visto uma série de opiniões (faladas e escritas) que me deixaram realmente apreensivo com o futuro do Brasil. Agora que o Senado deve concluir nesta terça votação da PEC das Domésticas, a coisa ganhou corpo nas discussões em conversas, blogs e redes sociais.
E a quantidade de "opiniões" de qualidade duvidosa, e até mesmo preconceituosa, é de se alarmar. Entre as pérolas da internet, li:
"Esta lei será um verdadeiro 'tiro no próprio pé', já que a classe média em sua maioria não terá condições para manter um salário como este (pagando FGTS, hora extra) para domésticas pobres em qualificações e ricas em direitos. Aliás, o salário delas se equivalerá à de muitos cargos públicos, após o sujeito experimentar um longo processo seletivo."
Não dá pra não ser a favor de uma medida dessas. É obvio que as domésticas precisam de uma legislação igual a de qualquer outro trabalhador com carteira assinada.
O único senão é que há partes da lei que simplesmente não consegue se regulamentar no dia a dia da profissão. Como medir as Horas Extras e Adicional Noturno quando a doméstica dorme no trabalho? Como essa questão será tratada na justiça? 
Além disso, a discussão principal deveria ser outra. Muito mais ampla.
Nós, brasileiros (como sociedade), temos a mania de tentar resolver tudo via decreto/lei. A frase a seguir retirada do de um post sobre o assunto no blog Acerto de Contas exemplifica bem essa mentalidade:
“Em um país onde até a principal multinacional (Ambev) é condenada por assédio moral medieval, deixar o lasseiz faire nas relações de trabalho seria uma temeridade.”
A CLT nunca impediu o brasil de continuar sendo um país com salários miseráveis. E a constituição brasileira nunca impediu a educação de virar um lixo. 
Enquanto o salário-médio brasileiro (com CLT e todos os seus direitos) é baixíssimo, temos outros países com mercado de trabalho menos regulado e com salário *bem maiores* que os nossos. Enquanto a educação pública brasileira (assegurada por decreto) é de péssima qualidade, temos outros países que não precisam de lei pra ter uma educação universal de boa qualidade.
As domésticas merecem os mesmo direitos CLT que qualquer um neste país, mas elas também tem direito a educação, saúde, e tantas outras coisas que, mesmo escritas em lei, não se escrevem de fato.
E a culpa é do laissez-faire?